quarta-feira, 12 de março de 2014

O pecado do movimento radicalmente feminista com as mulheres-mães

Na pauta da semana da mulher assisti a um documentário muito bacana que passou na GNT. Achei interessante algo dito ali que realmente fez muito sentido pra mim depois que me tornei mãe. O movimento feminista, ao lutar por direitos iguais entre homens e mulheres, foi essencial para nossa evolução hoje, mas só pecou ao ter esquecido que mulheres se tornam mães, e que essas mães têm uma ligação inexplicável com suas proles, uma ligação que pais, por mais participativos que sejam, não conseguem sentir (a preocupação, a culpa, aquela dorzinha no peito quando se afasta do filhote...).

O fato é que o movimento minimizou a situação ao dizer que era normal a mulher deixar o bebezinho numa creche e trabalhar o dia inteiro como um homem, pai de família fazia. O fato é que não se levou em conta o verdadeiro peso que é para a maioria das mães deixar seus bebês em creches integrais, sabendo que grande parte da evolução desse neném será vista por estranhos e não por ela... O primeiro passo, a primeira palavra... e sabe mais o quê.

Mas o fato, na real, é que homens são homens. E mulheres são mulheres. E que cabe a elas, somente a elas, o ato de gestar um bebê por 9 meses, amamentar, ficar alerta pela ocitocina pra qualquer movimento daquele neném...

No documentário, uma jornalista americana famosa contou seu drama quando voltou a trabalhar. Seu filho tinha uns 9 meses, se não me engano, e ela tinha que fazer uma viagem para a África, fazer uma reportagem. Ela conta que quando entrou no avião teve um surto. Chorou sem parar e pensou: não está certo isso que estou fazendo.

É, mulher que vira mãe passa a sentir essa coisa estranha mesmo. Essa ligação forte. Eu quando não era mãe JAMAIS imaginava que o sentimento pelo filho fosse tão absurdo, tão surreal. Mas é coisa de outro mundo mesmo. O tal amor incondicional. (Eu sempre disse e até hoje digo, mulher que vira mãe fica doida. Eu realmente acho isso. Tenho um monte de amigas assim... rsrs... e vocês sabem que penso isso mesmo... eu tento ficar me regulando pra não ser tão neurótica, tão apegada. Acho que minha cabeça ajuda um pouco, mas quis escrever esse assunto aqui exatamente porque eu não tinha noção de como era difícil essa parada da mulher voltar a trabalhar. Felizmente, trabalho para pessoas com cabeças modernas, que entendem que não é necessário o funcionário estar ali todo santo dia, fisicamente sentado numa mesa, se tem a internet, WhatsApp, telefone e tudo o mais que for necessário para se comunicar e conseguir trabalhar de casa. Lógico que nem todas as profissões permitem isso.)

É óbvio que a mulher já provou que é capaz de ser competente tanto ou até mais que os homens (na minha opinião muitaaaasss vezes rsrs.. a mulherada arrebenta). Mas mulher não é homem. Os homens têm características importantes e que em determinados trabalhos são melhores, assim como nós somos melhores em outros... e há aqueles em que o gênero é indiferente, a maioria, na verdade.

De repente parei pra pensar que foi uma maravilha a licença maternidade de 6 meses, mas realmente quando refletimos mais a fundo vemos que é preciso mais do que isso. E digo isso não só pelas mães, mas pelos filhos, principalmente. Pela formação dessas pessoinhas ai que estamos colocando no mundo e deixando que outros eduquem. Por isso defendo que mulher que tem filhos pequenos possa ter o direito de trabalhar meio período. - Mas isso é absurdo! Mulher não quer ser igual a homem? Quem vai querer contratar mulher se for assim? Podem dizer alguns, ou muitos. Mas afinal, a mulher não enfrenta uma outra jornada ao chegar em casa, é ou não é? É justo socialmente a sobrecarga que a mulher carrega nesses tempos modernos? Essa jornada dupla ou tripla? No documentário mulheres falavam que quando voltavam para casa da empresa sentiam que o trabalho não tinha acabado.. E se sentiam cansadas... era a hora do filho ali, depois que ele dormia era a hora da casa.. ou era a hora de atenção para o marido... e a hora da mulher? Cadê?

Eu já cansei de ler matérias e ver exemplos de mães que ficam fora o dia inteiro, a criança fica na creche, quando chega a noite dá piti, faz coisas erradas, e os pais não corrigem porque se sentem culpados: - poxa, ficamos o dia todo fora, e quando estamos com nosso filho nesse tempinho vamos brigar com ele?... faz sentido, mas a situação é bem complexa, porque não há educação real que não venha da família.


E eu me preocupo com esses indivíduos, com essas criaturas que vão crescer, tomar forma, cara, personalidade e um belo dia vão dizer, tchau, tô saindo... e os pais, mães, vão ficar ali.. com aquele sentimento só pra eles, sabendo que essas pessoinhas não imaginam o que uma mãe (ou pai, vai...) é capaz de sentir até se torne um também. É por isso que precisamos ter a mente aberta e refletir, perceber que essa discussão vai muito além do direito feminino, ela é uma discussão social, de homem, de mulher, de pais, mães, empregadores, empregados, jovens... É preciso perceber e pensar na juventude que queremos para o amanhã, nos seres humanos que têm se formado fruto desse modelo atual de creche full time aos 3 meses ou 6 meses de idade...



PS.: Difícil o assunto, não é? Escolhi o título dessa postagem para chamar a atenção mesmo. E antes que alguém diga que sou contra o feminismo, não sou. Aliás, muitos por ai me chamam de feminista... Prefiro não ser rotulada. Quero deixar claro que amo de paixão trabalhar. Sinto-me muito feliz em realizar algum trabalho, seja no jornalismo ou no design de interiores, e não teria o altruísmo de abrir mão totalmente da minha vida profissional para criar, exclusivamente, meu filho. Realmente não acho que isso é preciso. Defendo o meio termo. Nem só o trabalho. Nem só mãe. Sou mãe, mulher, profissional. Sou tudo junto. Não acho que preciso abrir mão de nada.. é só ajeitarem as coisas de forma JUSTA (nada de job o dia inteiro pelo amorrrr) e somos capazes de tudo. Sempre somos.. Mas é claro, também não acho correto quem crucifica uma mulher que abra mão da vida profissional totalmente ou durante alguns anos para se dedicar aos filhos.. aliás, acho lindo! Só não sou capaz.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Afinal, grávidas podem comer sushi? Viajar? Tomar remédio?...

Imagem: http://hmsportugal.wordpress.com
Arrumando minhas gavetas nesta semana encontrei uma folha com várias perguntas que fiz para o obstetra quando eu devia estar com dois para três meses de gravidez. Acho que a primeira lição que aprendi é que devemos sempre levar em consideração também a nossa intuição e o que o nosso corpo diz.
Deixo claro que as respostas abaixo não são exatamente as que recebi desse obstetra em questão à época (pois só acertei no 3º médico), mas com outros obstetras e sites médicos também. Sendo assim, partilho com vocês as informações que julgo terem sido as mais corretas no decorrer desse trajeto da gravidez. Destaco que essa é uma experiência pessoal e jamais deve substituir a avaliação do seu médico de confiança para suas dúvidas ou sintomas.

Grávida pode comer comida japonesa?
Há sites que dizem que não, outros que dizem que sim. Na verdade, depende. A mulher grávida precisa é tomar cuidado com COMIDA CRUA em geral, pois uma doença chamada toxoplasmose, se contraída durante a gravidez, pode afetar a formação do bebê, especialmente no primeiro trimestre. A toxoplasmose você descobre se já teve em um dos mil exames que fazemos no início da gravidez. Se você já teve, beleza. Seu organismo está protegido e você pode comer comida japonesa, entre outras. Se não, como foi o meu caso, deve-se evitar durante toda a gravidez. Minha médica só liberou japonês a partir do 8º mês. Até então quando batia aquela vontade louca eu só comia Hotfiladelphia.  Ah, e não é só de comida japonesa que estou falando. Carnes malpassadas, verduras e legumes crus de procedência duvidosa nem pensar. Além da toxoplasmose, a grávida, ingerindo carne crua, pode adquirir a bactéria salmonela... e apesar de dizerem que não atinge o feto deve-se evitar ao máximo algo que te cause diarreia, vômitos severos e outros males. Afinal, uma grávida internada e fraca não é legal, né...

Sentir cólicas é normal?
Até o terceiro mês sim, pois o seu organismo desconhece aquele corpo estranho e fica tentando lutar contra. Por isso, é muito importante ter repouso e se cuidar nessa fase inicial da gravidez para que dê tudo certo. No meu caso senti cólicas até o 5º mês, mas eu já havia feito duas cirurgias de endometriose, o que certamente gerou aderências que começaram a incomodar quando o útero se expandia cada vez mais. Mas no fim deu tudo certo. Sem pânico.

É verdade que grávida não pode pegar peso?
Sim, é verdade. Nem durante, nem depois de ter o bebê. Esse negócio de ficar fazendo esforço demais pode prejudicar e muito. Durante a gravidez por conta da concepção, como disse sobre o primeiro trimestre acima. Depois, por conta da recuperação correta no pós-parto.

Eu sinto falta de ar... e aí?
Ok, é isso mesmo. O bichinho lá começa a crescer e nisso empurra nossos pulmões... falta fôlego mesmo. Mas claro que cada grávida é um caso. Eu sentia falta de ar bem antes da minha barriga ficar grande, mas mesmo assim o médico disse que estava tudo bem... sobrevivi...

E quanto aos enjoos, o que fazer?
Minha médica passou Vonal de 8/8. É um comprimido de gosto horrível, confesso, mas eficaz.

Viajar, pode?
Se você não está numa gravidez de risco pode sim. As companhias aéreas deixam até a 34ª semana, em geral. Eu perguntei ao médico porque como tive endometriose grave, estava com mais de 30 aninhos... tinha que tomar meus cuidados. Já tinha programado, antes de saber que ficaria grávida, uma viagem internacional que duraria horas no avião. Isso é péssimo porque nossas pernas incham que é uma beleza e há o risco de trombose. O negócio é caminhar vez e outra durante o vôo. Fora as dezenas de vezes que você levanta para fazer xixi... affe... mas vamos lá. No meu caso a médica disse: “se bater perna a manhã toda na rua, descanse a tarde e vice-versa. Não abuse. Tenha bom senso!”.

Se eu ficar cansada, com dor nas pernas, posso tomar relaxante muscular?
DE JEITO NENHUM! E grávida também não pode tomar qualquer tipo de anti-inflamatório!

Grávida pode tomar chá?
Pode, desde que não seja verde e amargo de qualquer natureza.

É verdade que canela é abortivo?
Sim, é. Não coma nada com canela... bolos, chocolates, cafés..etc.

Nos casos de constipação na gravidez, o que fazer?
Tente tudo que é natural... sabe aquelas coisas lá do tempo da vovó? Tomar uma colher de azeite em jejum (erghhh), comer a semente do mamão, frutas com bagaço, tomar mingau de aveia, comer fibra e tomar bastante água... mas se nada disso resolver... um outro obstetra conhecido passou Minilax. Juro que foi o que salvou a pátria no início da gravidez, pois eu já tinha uma dieta boa, rica em fibras e água, mas nada adiantava. Depois do 4º mês meu intestino melhorou naturalmente.

E se eu ficar gripada?
Paracetamol é o medicamento liberado.

Tem algum creme que não devo usar?
Procure um dermatologista. No primeiro trimestre da gravidez há diversas substâncias que podem “passar” para o bebê por meio de cremes e pomadas. Cuidado. Ah, lembre-se de usar SEMPRE e todos os dias protetor solar para evitar ou diminuir a formação daquelas manchas escuras no rosto (melasma).


E a lista de perguntas ao médico chegou ao fim...mania de jornalista de anotar tudo num pedaço de papel. Juro que só não tiro foto das anotações porque minha letra é o "ô". Claro que eu não anotei todas essas perguntas bonitinhas, as palavras-chave bastaram. Espero que possam também ajudar outras gravidinhas. É isso. beijos e força na peruca!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Kit de higiene do bebê: o que realmente é preciso

Já falei lá no DiCasa9va sobre a importância de ter tudo à mão quando for dar banho no bebê ou trocá-lo. Você nunca sabe se ele vai estar tranquilo ou estará fazendo aquele escândalo que qualquer minuto a mais desperdiçado faz diferença. No post O essencial em um quarto pequeno de bebê abordei sobre a decoração e mobiliário essenciais na criação de um projeto de um quarto de bebê. Agora, vamos ver aqui sobre o que você vai precisar ter ao alcance das mãos naquela bandeja que costumam cobrar o olho da cara por ai.

Primeiro, fica muito mais em conta e personalizado se você mesma montar esse kit, ao invés de comprar pronto. Lembre-se de que a garrafinha e os demais potinhos você vai usar mesmo no primeiro mês de vida. No meu caso (que a decoração do quarto do meu bebê era mais colorida e despojada) comprei uma garrafinha térmica branca e bem pequenina na Tok&Stok (ela é super útil até hoje, pois sempre a levo comigo na bolsa do bebê para fazer a mamadeira), uma bandeja amarela de acrílico da OU e um pote quadrado de acrílico transparente com três divisões na Leroy Merlim. Aliás, foi minha melhor aquisição, pois a tampa levanta fácil-fácil. E só para lembrar que esse pote de acrílico não tinha essa função que eu dei a ele. Na loja eu acho que ele era um porta-canetas e cartões-de-visita!

Kit de higiene para o bebê recém-nascido (até 1 mês)
- álcool 75% - para limpar o umbigo do bebê;
- bolinhas de algodão para limpar as partes íntimas do bebê. Durante o primeiro mês os médicos NÃO recomendam utilizar os lenços umedecidos;
- garrafinha térmica com água morna – para molhar o algodão e limpar o bebê;
- cotonete - para secar as orelhinhas, dobrinhas e passar o álcool ao redor do umbigo;
- sugador nasal de borracha – para limpar o nariz de secreções (faço isso sempre depois do banho);
- pomada contra assaduras – recomendo a Bepantol Baby e a Hipoglós de Amêndoa;
- tesourinha específica para bebês, com a ponta arredondada.
- escovinha para cabelo;

Depois do primeiro mês (dizem que oficialmente depois de 28 dias) seu bebê deixa de ser considerado recém-nascido. No meu caso passei a utilizar próximo ao trocador...
- cotonete
- sugador nasal
- pomada contra assaduras
- cortador de unha para bebê (acho bemmm mais fácil que a tesourinha, mas confesso que só tive segurança para usar quando a unha dele começou a ficar mais durinha);
- perfuminho – eu adoro o lavanda da Johnsons.
- lencinhos umedecidos.
- escovinha para cabelo;

Esse é um exemplo simples e funcional de trocador. Eu prefiro por as fraldas
na primeira gaveta da cômoda, mas se o seu espaço é menor o porta-fraldas
ajuda.

Esse exemplo aqui é super fofinho, mas nada funcional. Os potinhos com
algodão e cotonetes estão lá em cima...
Comadre, você vai precisar deles sempre e pertinho de você!


sábado, 10 de agosto de 2013

Deixe ele ser PAI, deixe ele participar

Creio que as mulheres que puderam contar com seus companheiros naquele início tão difícil de botar um bebê no mundo certamente se sentiram mais seguras e igualmente protegidas e, porque não, mais sãs. Sim, porque nos primeiros dias de dar à luz a uma criança a vida da gente vira do avesso. Sentimo-nos vulneráveis, choramos e muitas vezes nos sentimos incapazes de cuidar daquele pequenino. É a chamada melancolia ou blues puerperal (às vezes confundida com a depressão pós-parto que é um grau mais grave).

O pai do meu filhote foi essencial para que eu conseguisse passar de uma forma mais saudável pelas primeiras semanas, que costumam ser as mais críticas do período. Sentia uma felicidade imensurável, mas ao mesmo tempo exausta, insegura e triste. Uma tristeza inexplicável... talvez seja justamente porque sabemos que a partir dali estamos nos despedindo de uma vida previsível, tranquila para entrar numa nova vida. E a mudança sempre gera medo. .talvez a gente se sinta assim exatamente porque não há rotina quando um bebê chega a nossas vidas. É tudo novo. Não temos horários pré-determinados para nada e cada hora é uma surpresa. Isso causa ansiedade e por isso a angústia, mas quanto mais o tempo vai passando e as coisas vão começando a ter uma ordem, rotina, organização.. tudo passa, acredite!

Pois é... o meu conselho de hoje às gravidinhas que em breve terão seus pimpolhos é: peça para seus maridinhos/companheiros/namorados tirarem férias e participarem ativamente dessa nova experiência com vocês. Como disse no post A importância do pai na formação do bebê  a relação do pai com o bebê tem que ser construída, não vem pronta, e por isso ele precisa fazer parte desse processo e perceber sua responsabilidade já no início da criação do filho... aprendendo a dar banho, trocando fralda, dando mamadeira ou botando para arrotar, dormir... enfim, tarefas não faltam e todas elas aproximam aquele ser tão indefeso do pai.

Sei que nós, mulheres-mães, nos colocamos como autossuficientes. E que é irritante para nós quando vemos que o homem não faz as tarefas com o bebê como nós fazemos. (aliás, a gente não entende mesmo porque vocês veem como fazemos as coisas o tempo inteiro e quando é a vez de vocês fazerem as tarefas sempre deixam faltar um pedaço... é o banho que não foi dado, a fralda que demorou a ser trocada, o leite que estava quente demais, a hora do bebê dormir... enfim, acho que também tem uma chatice da nossa parte de querer controlar o universo...rs). Mas o fato é que até isso, essas trapalhadas que falei acima, fazem parte do SER PAI.

Lembro que quando eu tinha uns 8 ou 9 anos de idade, minha mãe teve que viajar para ir ao enterro do meu avô. Era a primeira vez que eu e minhas irmãs ficávamos sozinhas para sermos cuidadas pelo nosso pai e por nossa tia avó. Esse fato ficou gravado na minha memória. Meu pai trabalhava muito quando era criança e nós só o víamos à noite e logo era hora da gente dormir. Então quem criou a gente mesmo durante a infância foi minha mãe, mas claro ela não abriu mão de deixar meu pai fazer o papel dele quando aprontávamos alguma... “eu vou falar com seu pai”... “dá para o seu pai a prova com MI em matemática para ele assinar”... Jesus.. eu tremia nas bases... pois é, mas voltando ao tempo de quando meu pai cuidou da gente por aquele curto período foi engraçado... ele foi colocar um copo de leite com café para eu ir para a escola e caiu aquele pouco de café com leite no copo, pois o café tinha acabado. Ficou aquele leite marrom clarinho... ele não pensou duas vezes e pôs Nescau junto com o café com leite... ficou triste a mistura, eu achei bem estranho, mas eu tomei bravamente, pois tinha que dar um desconto para ele... Também me lembro dele tentando fazer arroz... um terror. Hoje meu pai sabe fazer um almoço bom, um peixe, um churrasco de lamber os dedos... (que bom, né pai! Rs)

Pai é isso! E como é maravilhoso contar com alguém que faz esse papel de pai!

E eis que hoje é o primeiro domingo do Dia dos Pais para o papai do meu filho e eu queria deixar uma mensagem aqui para ele:
"Você sabe a importância que tem e terá na vida do nosso filhote e quero agradecer aqui pelo seu apoio, sua presença na vida desse pequenino e na minha. Peço a Deus que ele tenha a sua inteligência, o seu bom humor, a sua honestidade e a sua sede de aprender, ah, e a sua saúde também. rs

Tenho certeza de que muito em breve, quando ele começar a ter consciência dos nossos papeis na vida dele, terá muito orgulho de ter você como pai. Assim como eu tenho muito orgulho de ser filha do MEU PAI."

E para todos os que tiveram coragem de assumir o papel de pai, mesmo que o filho não seja seu, um.. FELIZ DIA DOS PAIS!!

A importância do pai na formação do bebê

Muitas vezes a gente ouve por ai que mãe é mãe, pai não faz diferença... discordo em gênero, número e grau. Há homens que, infelizmente, abrem mão desse papel na vida de uma criança, mas isso não quer dizer que a figura do pai não é importante. Ser pai, ser mãe, é muito, mas muito mais do que gerar um bebê. É assumir seus respectivos papeis na vida desse filho e criar esse ser humano da melhor forma possível.

Para a maioria das mães a ligação com o filho é imediata, afinal, ela gerou aquele bebê por nove meses e quando ele saiu de dentro dela parece algo inimaginável, como um amor instantâneo e incrivelmente mágico. Para os pais a relação com o bebê precisa ser construída no dia-a-dia até que chegue ao amor incondicional que não é exclusivo da mãe, aliás, não nos esqueçamos de que existem mães e mães, pais e pais...

Segundo o psicanalista Glaucy Abdon, a figura da mãe, importante em todas as linhas de pensamento psicanalítico é, sem dúvida, a figura crucial do processo de humanização do bebê. E é indiscutível que a criança cria o mundo a partir de sua relação com a mãe, sendo fruto de projeções e identificações.

E continua... “A função paterna é, portanto, caracterizada por dar limites, trazer para o filho a noção de lei. Isso se inicia muito cedo, quando o pai impede o bebê de ficar com a mãe em tempo integral, facilitando momentos de ausência da mãe para com o filho. O pai entra num mundo que antes era só da mãe e do bebê; a função paterna é basicamente essa: permitir ao bebê que tenha sua vida própria, independente da mãe.”

Para a psicanálise, tanto freudiana quanto lacaniana, é o pai quem corta o vínculo do filho com a mãe e esse corte é essencial para o amadurecimento desse ser humano.

Na opinião da psicóloga Patrícia Camargo, a representação da figura paterna é fundamental na formação, no desenvolvimento e construção moral, social, emocional e psicológica da criança. “A figura paterna faz parte da estrutura emocional para nos tornarmos pessoas sadias e maduras. A criança que é criada sem referencial masculino pode tornar-se aversivo às ordens dadas por representantes femininos. Porém, isso não quer dizer que crianças criadas somente pela mãe vão ter algum transtorno emocional.”

No caso de mães solteiras ou de pais falecidos ou ausentes a FIGURA do pai pode ser assumida por um avô, um tio, um amigo, um padrinho, um padrasto... O que importa é que essa criança não seja criada sem essa figura masculina.

Então, agora que temos total consciência da nossa importância para a saúde física e mental de nossos filhos, que Deus nos ajude (pais e mães) a abraçar nossos papeis como deve ser, dizendo não quando necessário, impondo limites, dando muito amor, carinho, incentivo a esses pequeninos que logo se tornarão homens e mulheres nesse nosso mundo. E nós, já idosos, poderemos nos orgulhar da criação que proporcionamos àquelas pessoas, que não têm noção do amor que temos por elas, até que um dia resolvam tornarem-se pais e mães e continuarem esse ciclo que faz a terra girar.


Referências


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Resguardo: crendices ou sabedoria das vovós?

Quando ganhei meu filhote, minha mãe e minha sogra se uniram para preparar comidinhas que, segundo elas, gerariam mais leite na vaquinha aqui. Confesso que não dei muita importância, mas obedeci ao que elas queriam para minha alimentação. Era cural de milho, pamonha, canja de galinha, canjica... quanto mais coisa com milho melhor. E eu adoro tudo isso, então, estava tudo certo. Mas é claro que fui pesquisar na internet para saber se era verdade essa coisa de milho, cerveja preta e tudo mais. Vários sites de médicos diziam que tudo isso não passava de crendice. Também perguntei à minha médica que riu dessa história de milho e logo me passou um remédio chamado Domperidona para eu gerar mais leite.

O fato é que eu percebia na prática que realmente tinha mais leite quando me alimentava com comidas que levassem mais leite, milho e açúcar em sua composição e água, muita água. Estranho, né? Eis que fui ler a bula do tal remédio Domperidona – aliás ele não tem contraindicação, então qualquer recém-parida que quiser toma-lo é só comprar na farmácia, – e para meu espanto qual era a composição do remedinho? Entre tantas coisas amido e sacarina.

Bom, então a crendice das vovós não era tão crendice assim, tinha um fundo de verdade. E assim foi a primeira vez que quebrei a cara..rs

CABEÇA TORTA
Fui percebendo que meu filhote só gostava de dormir de um determinado lado do berço. E para o meu sossego eu sempre colocava ele de ladinho, do jeito que ele gostava de dormir. Minha sogra dizia: - tem que virar a cabecinha dele para o outro lado quando ele estiver dormindo... e eu, ah tá... entrava por um ouvido e saia pelo outro. “Ai meu Deus do céu é cada coisa que a gente tem que ouvir. O menino já está dormindo.. eu vou lá mexer nele para depois ele acordar? Só para virar a cabeça para o outro lado? Eu não”.

Eis que com dois meses a cabeça do meu filho estava toda amassada, como vou dizer... não estava uma cabeça redondinha, era meio amassada mesmo. Lá fui eu questionar a pediatra... e ela disse que ele devia estar dormindo com a cabeça virada sempre para o mesmo lado, por isso ficou assim. Ai Jesus! Por que não dei ouvidos à sogra? Agora o bichinho tá com a cabeça tortinha... e eu espero que um dia volte ao normal. E foi ai que quebrei a cara pela segunda vez...

A MOLEIRA
A terceira foi sobre a moleira. É verdade, se a moleira está baixa é porque o bebê está desidratado... e lógico que se o seu bebê está só no leite materno quer dizer que ele está sendo amamentado menos do que deveria – que era o meu caso... (nada de oferecer água e chazinho para o bebê que está exclusivamente no peito hein. Isso sim não tem nada a ver!).

CUIDADOS NO RESGUARDO
Na maternidade não recebi nenhuma orientação do que pode ou não se fazer no resguardo. Graças a Deus tive a orientação da minha mãe e da minha sogra, então, vê se se cuida e obedeça ao seguinte:
- Não pegue peso de jeito nenhum nos primeiros meses, nem pense em faxinar a casa! Isso é muito sério.
- Não tenha relação sexual nos 40 primeiros dias se for normal e nos 60 se for cesárea (isso também depende da recuperação da mulher, se ela já se sentir segura para ter relação após 40 dias tudo bem);
- Não coma carne de porco, linguiça, bacon por conta da cicatrização e dos gases. (quanto menos gases você tiver, melhor);
- Cuidado com pimenta e outros alimentos que você ingere, pois tudo passa para o leite;
- Não dirigir nos 15 primeiros dias se for normal e 30 dias se for cesárea;
- Procure seguir uma dieta alimentar saudável, se alimente bem, mas nada de besteiras. O alimento correto fará você ter mais leite e com isso até emagrecer mais rápido por conta da literal sugação do bebê. Já frituras, refrigerantes e doces vão virar gordura mesmo e depois vai ser difícil perder...
- Beber muita água. Mais de 2 litros por dia.

CRENDICES X SUPERSTIÇÕES
Para mim crendice e superstição são coisas distintas. Essas que falei são crendices - coisas que dizem para a gente fazer, mas também não sabem explicar o porquê. Superstições existem inúmeras e essas sim não conseguimos levar a sério. Como o formato da barriga... se é pontuda é menino, se é redonda é menina (a minha era bem redondinha e foi um menino lindo); se você tem azia o bichinho é cabeludo... (eu não tive azia e meu filhote nasceu bem cabeludinho)  

Mas a gente também tem que dar ouvidos às nossas mães e avós. Se aquilo que ela disser não te fizer bem, mal também não vai fazer. No mundo de hoje pouco se dá importância ao que os mais velhos dizem. Já na cultura oriental os idosos são respeitados e vistos como fonte de sabedoria. Quem teve, tem ou terá a chance de passar o seu resguardo contando com os cuidados da sua mãe deve dar graças a Deus. Às vezes, elas exageram, é verdade. A gente já está sem paciência com todo o universo novo que temos que assimilar e ainda tem gente falando no seu ouvido. Difícil. Mas é preciso olhar com outros olhos e ver que elas só querem o nosso bem e o bem desse novo herdeiro que chegou e a experiência delas deve ser levada em conta.

Agora se você quiser ler mais sobre superstição... nossa, tem muitas! Surreal! Eu achei esse site aqui http://www.jangadabrasil.com.br/janeiro17/pn17010c.htm

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A saga da amamentação: não à culpa!

Gente... se teve uma coisa que eu não li em lugar algum ou ouvi alguém dizer (talvez porque não fazia parte da minha vida) foi sobre a dificuldade de amamentar. Sempre via aquelas mulheres dando o peito para o bebê aonde quer que fosse e eu pensava que era tão natural... ledo engano.

Tive meu filhote e ainda grog da anestesia, na sala de recuperação, tentaram fazer o bichinho mamar no meu peito. Eu não conseguia erguer meu corpo e meu filhinho só queria saber de dormir. Então pensei... tudo bem, depois ele mama... só que eu não sabia que há uma recomendação de que a mãe deve oferecer o peito até 2 horas depois do parto, pois isso contribui sobremaneira para a memória de sugar da criança e, assim, facilitar o processo da amamentação.

Enfim, meu bebê foi mamar só quando fui para o quarto. Veio uma moça do hospital, tentou me ensinar a tal pegada para o bebê sugar e assim foi... que sensação mais divina! Era muito lindo ver que eu estava alimentando aquele ser de Deus e ele olhava no fundo dos meus olhos, como uma forma de agradecimento. Sem dúvida, acho que essa é uma das sensações mais sublimes que existe. Pena que o processo não é tão fácil, pelo menos para mim não foi.

No dia da alta do hospital meu marido e eu levamos nosso filhote ao posto de saúde para levar as vacinas. Aquele bebezinho de 3 dias já teria que enfrentar as agulhadas da vida, mas esse vai ser tema de outro post... Certo, lá no posto tem um setor que orienta as mães para a amamentação e eu fui lá. Fiquei impressionada com uma enfermeira alta e "negona" (não é racismo... longe de mim, só modo de dizer para que imaginem uma mulher forte, grande, negra, com unhas pintadas de vermelho e aquele olhar de quem sabe o que diz) que me orientou super bem sobre a tal “pega” do bebê e como colocar ele para arrotar. Ela botou meu filhote no ombro, literalmente, e logo ele arrotou. Puxa, que alivio senti. Foi ótima a orientação que recebi, mas minha saga estava apenas começando...

Recebi a ajuda prestimosa da minha mãe e da minha sogra. Ambas se revessavam para me dar força nos primeiros dias e me passar segurança. Mas era sempre assim. O Samuel chorava, era uma luta para ele pegar no peito, quando pegava mamava 10 minutos e adormecia. Depois acordava chorando de novo... eu tentava dar o outro peito e ele nada de pegar, ficava nervoso e só parava de chorar quando dormia de novo. O melhor horário que ele pegava o peito de primeira era de madrugada. Eu não entendia...

Uma semana se passou. Levei na primeira consulta à pediatra que disse que ele não tinha ganhado peso algum, mas que tudo bem, na semana seguinte ele tinha que ganhar peso. Aqui eu faço um adendo para dizer que meu filhote nasceu com 2.900kg e saiu do hospital com 2.600kg. Até aí tudo normal, pois o bebê pode perder até 15% do seu peso ao sair do hospital. Isso acontece porque ele desincha.

Mas vamos lá. Mais uma semana se passou, ele estava tão magrinho, só queria saber de dormir. De tarde ele dormia 5 horas seguidas, tranquilamente, ai a médica dizia, você tem que acordar ele e dar de mamar. Quem disse? Eu tentava, mas ele não acordava de jeito nenhum. E quando conseguia fazer ele acordar para mamar ele ficava bravo...

A ajuda do Banco de Leite
Fomos à pediatra novamente, ele já tinha 15 dias, ela me assustou mandando ele fazer exame de urina. Disse que talvez ele tivesse que ficar internado. Que podia estar com uma infecção e por isso não ganhava peso. Eu chorei, claro. Sai com o meu marido muito triste e fomos direto para o laboratório para fazer o exame... o resultado saiu à tarde. Tudo normal, graças a Deus. E minha mãe me convenceu a ir ao Banco de Leite do Hospital Regional de Taguatinga, o mais conceituado da América Latina.

Lá fui muito bem atendida. Fazem uma análise geral. E a médica disse que eu tinha leite suficiente, que os bicos dos meus seios eram ótimos para a criança sugar e que a pega estava correta. Então, qual era o problema? Uma fonoaudióloga viu que ele tinha o freio da língua um pouco preso e que isso podia estar dificultando o processo de sugar, assim nos encaminhou para os dentistas do hospital. E lá fomos nós para cortar o freio da língua do meu bebezinho. Ele foi um rapaz. Muito corajoso. Mas infelizmente, mesmo fazendo esse procedimento o Samuca continuou sugando fraquinho.

No dia seguinte voltamos ao Banco de Leite, dessa vez a coordenadora-geral nos atendeu e viu que o problema estava no sugar do bebê. Ele não sabia sugar direito, por isso estava emagrecendo. E por isso, ficava chorando... porque no fundo ele mamava e ainda ficava com fome... e eu um trapo de gente, porque tinha que oferecer o peito toda hora.

Nos 15 dias seguintes voltávamos regularmente ao Banco de Leite, elas acompanhavam a amamentação, diziam pra gente fazer um exercício com o Samuca para ele aprender a sugar. O exercício consistia em colocar até o fim o nosso dedo mindinho na boca do pequeno... Ele chorava horrores incomodado com aquele dedo... fizemos translactação que é um processo de você tirar leite manualmente, botar num copinho, depois com uma sondinha colocar na boca do bebê junto com o seio para ele chupar e assim ver se mamava mais e não emagrecia tanto.

O fato é que com exatos 1 mês de nascido meu filho estava pesando 2.550kg. Ou seja, ele além de não ganhar peso emagreceu... L Fiquei muito chateada e minha mãe e sogra me incentivaram. “Chega de sofrimento. Dá mamadeira logo para seu filho. Nós estamos vendo o seu esforço para fazer com que ele mame no peito e ele não está conseguindo. Muitas crianças foram criadas com mamadeira e estão aí, vendendo saúde”.

Mamadeira
E foi assim, decidi. Dei mamadeira para o meu baby e pela primeira vez ele se alimentou calmamente e logo dormiu, satisfeito. Meu Deus que alivio. Só que a culpa nos acompanha, não tem jeito. Eu queria amamentar exclusivamente no peito, no mínimo, até o 3º mês. Mas não deu. Fiquei muito feliz quando percebi o quanto ele evoluiu com a mamadeira. E eu não abria mão de dar o meu leite. Comprei uma bomba elétrica maravilhosa e sempre tirava meu leite e também dava, alternando com o leite em pó.

O leite que a médica passou – já tinha trocado de pediatra – foi o Aptamil Pepti. O leite é caro, mas é excelente para o desenvolvimento do bebê. E assim foi. Até ele completar 4 meses e eu parar de dar o meu leite, mesmo que fosse pouquinho.

Ah, esqueci de falar do povo sem noção que já nos julga sem saber o porquê do nosso filho estar na mamadeira. É impressionante como as pessoas repetem o que escutam e falam coisas desagradáveis que só servem para gerar culpa na mãe.

Para a criança o leite da mãe é o melhor alimento, sabemos disso. Mas nem todos os bebês ou todas as mães conseguem amamentar até o recomendado. Acho que a gente tem que se esforçar ao máximo, mas se realmente não deu certo. CHEGA! Não faz sentido a gente ficar estressada, sofrendo... esse estresse passa para o bebê e é ainda pior. Melhor uma mãe tranquila e feliz que não amamente do que uma mãe nervosa, exausta e infeliz que amamente.

Eu penso assim. E sei que fiz o melhor para o meu filhote. Sem culpas. O ato de alimentar o pequeno deve ser um ato de amor com o peito ou sem o peito.
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