Para a maioria das mães a ligação com o filho é imediata, afinal, ela gerou aquele bebê por nove meses e quando ele saiu de dentro dela parece algo inimaginável, como um amor instantâneo e incrivelmente mágico. Para os pais a relação com o bebê precisa ser construída no dia-a-dia até que chegue ao amor incondicional que não é exclusivo da mãe, aliás, não nos esqueçamos de que existem mães e mães, pais e pais...
Segundo o psicanalista Glaucy Abdon, a figura da mãe, importante em todas as linhas de pensamento psicanalítico é, sem dúvida, a figura crucial do processo de humanização do bebê. E é indiscutível que a criança cria o mundo a partir de sua relação com a mãe, sendo fruto de projeções e identificações.
E continua... “A função paterna é, portanto, caracterizada por dar limites, trazer para o filho a noção de lei. Isso se inicia muito cedo, quando o pai impede o bebê de ficar com a mãe em tempo integral, facilitando momentos de ausência da mãe para com o filho. O pai entra num mundo que antes era só da mãe e do bebê; a função paterna é basicamente essa: permitir ao bebê que tenha sua vida própria, independente da mãe.”
Para a psicanálise, tanto freudiana quanto lacaniana, é o pai quem corta o vínculo do filho com a mãe e esse corte é essencial para o amadurecimento desse ser humano.
Na opinião da psicóloga Patrícia Camargo, a representação da figura paterna é fundamental na formação, no desenvolvimento e construção moral, social, emocional e psicológica da criança. “A figura paterna faz parte da estrutura emocional para nos tornarmos pessoas sadias e maduras. A criança que é criada sem referencial masculino pode tornar-se aversivo às ordens dadas por representantes femininos. Porém, isso não quer dizer que crianças criadas somente pela mãe vão ter algum transtorno emocional.”
No caso de mães solteiras ou de pais falecidos ou ausentes a FIGURA do pai pode ser assumida por um avô, um tio, um amigo, um padrinho, um padrasto... O que importa é que essa criança não seja criada sem essa figura masculina.
Então, agora que temos total consciência da nossa importância para a saúde física e mental de nossos filhos, que Deus nos ajude (pais e mães) a abraçar nossos papeis como deve ser, dizendo não quando necessário, impondo limites, dando muito amor, carinho, incentivo a esses pequeninos que logo se tornarão homens e mulheres nesse nosso mundo. E nós, já idosos, poderemos nos orgulhar da criação que proporcionamos àquelas pessoas, que não têm noção do amor que temos por elas, até que um dia resolvam tornarem-se pais e mães e continuarem esse ciclo que faz a terra girar.
Referências
Suprindo a ausência paterna - http://guiadobebe.uol.com.br/suprindo-a-ausencia-paterna/
A dinâmica familiar Revista Psiquê - http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/24/artigo70925-1.asp

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