quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A saga da amamentação: não à culpa!

Gente... se teve uma coisa que eu não li em lugar algum ou ouvi alguém dizer (talvez porque não fazia parte da minha vida) foi sobre a dificuldade de amamentar. Sempre via aquelas mulheres dando o peito para o bebê aonde quer que fosse e eu pensava que era tão natural... ledo engano.

Tive meu filhote e ainda grog da anestesia, na sala de recuperação, tentaram fazer o bichinho mamar no meu peito. Eu não conseguia erguer meu corpo e meu filhinho só queria saber de dormir. Então pensei... tudo bem, depois ele mama... só que eu não sabia que há uma recomendação de que a mãe deve oferecer o peito até 2 horas depois do parto, pois isso contribui sobremaneira para a memória de sugar da criança e, assim, facilitar o processo da amamentação.

Enfim, meu bebê foi mamar só quando fui para o quarto. Veio uma moça do hospital, tentou me ensinar a tal pegada para o bebê sugar e assim foi... que sensação mais divina! Era muito lindo ver que eu estava alimentando aquele ser de Deus e ele olhava no fundo dos meus olhos, como uma forma de agradecimento. Sem dúvida, acho que essa é uma das sensações mais sublimes que existe. Pena que o processo não é tão fácil, pelo menos para mim não foi.

No dia da alta do hospital meu marido e eu levamos nosso filhote ao posto de saúde para levar as vacinas. Aquele bebezinho de 3 dias já teria que enfrentar as agulhadas da vida, mas esse vai ser tema de outro post... Certo, lá no posto tem um setor que orienta as mães para a amamentação e eu fui lá. Fiquei impressionada com uma enfermeira alta e "negona" (não é racismo... longe de mim, só modo de dizer para que imaginem uma mulher forte, grande, negra, com unhas pintadas de vermelho e aquele olhar de quem sabe o que diz) que me orientou super bem sobre a tal “pega” do bebê e como colocar ele para arrotar. Ela botou meu filhote no ombro, literalmente, e logo ele arrotou. Puxa, que alivio senti. Foi ótima a orientação que recebi, mas minha saga estava apenas começando...

Recebi a ajuda prestimosa da minha mãe e da minha sogra. Ambas se revessavam para me dar força nos primeiros dias e me passar segurança. Mas era sempre assim. O Samuel chorava, era uma luta para ele pegar no peito, quando pegava mamava 10 minutos e adormecia. Depois acordava chorando de novo... eu tentava dar o outro peito e ele nada de pegar, ficava nervoso e só parava de chorar quando dormia de novo. O melhor horário que ele pegava o peito de primeira era de madrugada. Eu não entendia...

Uma semana se passou. Levei na primeira consulta à pediatra que disse que ele não tinha ganhado peso algum, mas que tudo bem, na semana seguinte ele tinha que ganhar peso. Aqui eu faço um adendo para dizer que meu filhote nasceu com 2.900kg e saiu do hospital com 2.600kg. Até aí tudo normal, pois o bebê pode perder até 15% do seu peso ao sair do hospital. Isso acontece porque ele desincha.

Mas vamos lá. Mais uma semana se passou, ele estava tão magrinho, só queria saber de dormir. De tarde ele dormia 5 horas seguidas, tranquilamente, ai a médica dizia, você tem que acordar ele e dar de mamar. Quem disse? Eu tentava, mas ele não acordava de jeito nenhum. E quando conseguia fazer ele acordar para mamar ele ficava bravo...

A ajuda do Banco de Leite
Fomos à pediatra novamente, ele já tinha 15 dias, ela me assustou mandando ele fazer exame de urina. Disse que talvez ele tivesse que ficar internado. Que podia estar com uma infecção e por isso não ganhava peso. Eu chorei, claro. Sai com o meu marido muito triste e fomos direto para o laboratório para fazer o exame... o resultado saiu à tarde. Tudo normal, graças a Deus. E minha mãe me convenceu a ir ao Banco de Leite do Hospital Regional de Taguatinga, o mais conceituado da América Latina.

Lá fui muito bem atendida. Fazem uma análise geral. E a médica disse que eu tinha leite suficiente, que os bicos dos meus seios eram ótimos para a criança sugar e que a pega estava correta. Então, qual era o problema? Uma fonoaudióloga viu que ele tinha o freio da língua um pouco preso e que isso podia estar dificultando o processo de sugar, assim nos encaminhou para os dentistas do hospital. E lá fomos nós para cortar o freio da língua do meu bebezinho. Ele foi um rapaz. Muito corajoso. Mas infelizmente, mesmo fazendo esse procedimento o Samuca continuou sugando fraquinho.

No dia seguinte voltamos ao Banco de Leite, dessa vez a coordenadora-geral nos atendeu e viu que o problema estava no sugar do bebê. Ele não sabia sugar direito, por isso estava emagrecendo. E por isso, ficava chorando... porque no fundo ele mamava e ainda ficava com fome... e eu um trapo de gente, porque tinha que oferecer o peito toda hora.

Nos 15 dias seguintes voltávamos regularmente ao Banco de Leite, elas acompanhavam a amamentação, diziam pra gente fazer um exercício com o Samuca para ele aprender a sugar. O exercício consistia em colocar até o fim o nosso dedo mindinho na boca do pequeno... Ele chorava horrores incomodado com aquele dedo... fizemos translactação que é um processo de você tirar leite manualmente, botar num copinho, depois com uma sondinha colocar na boca do bebê junto com o seio para ele chupar e assim ver se mamava mais e não emagrecia tanto.

O fato é que com exatos 1 mês de nascido meu filho estava pesando 2.550kg. Ou seja, ele além de não ganhar peso emagreceu... L Fiquei muito chateada e minha mãe e sogra me incentivaram. “Chega de sofrimento. Dá mamadeira logo para seu filho. Nós estamos vendo o seu esforço para fazer com que ele mame no peito e ele não está conseguindo. Muitas crianças foram criadas com mamadeira e estão aí, vendendo saúde”.

Mamadeira
E foi assim, decidi. Dei mamadeira para o meu baby e pela primeira vez ele se alimentou calmamente e logo dormiu, satisfeito. Meu Deus que alivio. Só que a culpa nos acompanha, não tem jeito. Eu queria amamentar exclusivamente no peito, no mínimo, até o 3º mês. Mas não deu. Fiquei muito feliz quando percebi o quanto ele evoluiu com a mamadeira. E eu não abria mão de dar o meu leite. Comprei uma bomba elétrica maravilhosa e sempre tirava meu leite e também dava, alternando com o leite em pó.

O leite que a médica passou – já tinha trocado de pediatra – foi o Aptamil Pepti. O leite é caro, mas é excelente para o desenvolvimento do bebê. E assim foi. Até ele completar 4 meses e eu parar de dar o meu leite, mesmo que fosse pouquinho.

Ah, esqueci de falar do povo sem noção que já nos julga sem saber o porquê do nosso filho estar na mamadeira. É impressionante como as pessoas repetem o que escutam e falam coisas desagradáveis que só servem para gerar culpa na mãe.

Para a criança o leite da mãe é o melhor alimento, sabemos disso. Mas nem todos os bebês ou todas as mães conseguem amamentar até o recomendado. Acho que a gente tem que se esforçar ao máximo, mas se realmente não deu certo. CHEGA! Não faz sentido a gente ficar estressada, sofrendo... esse estresse passa para o bebê e é ainda pior. Melhor uma mãe tranquila e feliz que não amamente do que uma mãe nervosa, exausta e infeliz que amamente.

Eu penso assim. E sei que fiz o melhor para o meu filhote. Sem culpas. O ato de alimentar o pequeno deve ser um ato de amor com o peito ou sem o peito.

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